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arquitectura, património e identidade
arquitectura e identidade

identidade urbana


A identidade é sempre o reconhecimento do lugar, do objecto arquitectónico ou de um aglomerado urbano através da leitura das suas características principais.
A identidade é sempre conectada com valores culturais que se sedimentam e que correspondem a ambientes e vivências que irão dar forma à memória colectiva das comunidades. A referência ao lugar, neste caso a cidade, como o espaço por excelência do homem civilizado, será aquele que irá transparecer a evolução de uma sociedade. Também a especificidade do sítio de implantação do núcleo urbano irá influenciar a sua forma e o seu desenvolvimento, assim como a topografia do terreno é um factor determinante na sua configuração e na construção da paisagem urbana.   
A morfologia urbana baseia-se sobretudo no traçado, na relação do espaço público e privado. A hierarquia dos espaços públicos que se traduzem por eixos principais, ruas e praças são elementos essenciais de reconhecimento das estruturas urbanas que irão definir percursos. Os bairros constituem unidades morfológicas que adquirem uma imagem arquitectónica, e definem pequenos territórios sociais inseridos no espaço urbano. A relação entre as unidades morfológicas de uma cidade é que formula a sua identidade.   
As funções urbanas essenciais ao desenrolar de actividades que se desenvolvem no espaço urbano como a habitação, comércio, serviços, e zonas verdes vão evoluindo através de várias épocas traduzindo os novos parâmetros económicos, políticos e sociais. As relações entre essas várias funções vão criando lógicas de crescimento que sedimentam hábitos culturais caracterizando desta forma o espaço urbano de um aglomerado.
A arquitectura é um parâmetro essencial à identidade urbana através dos seus edifícios que foram, e ainda hoje são elementos geradores da estrutura urbana. São estes edifícios singulares através da sua forma, linguagem e carácter simbólico que ajudam a construir essa memória colectiva que se traduz pelo reconhecimento de um lugar específico na estrutura urbana. Também as ruas e praças são espaços vazios caracterizados pela sua forma, linguagem arquitectónica e também pela sua função. Mas é a apropriação por parte da população e a sua interacção com esses espaços urbanos que se constrói a identidade do ambiente urbano num processo recíproco de estímulos e de vivências onde o espaço reflecte os valores culturais dessa comunidade e ao mesmo tempo deve estimular e reforçar esse diálogo através do desenho urbano.


(M.V. 2010)
Bairro de Alvalade (Lisboa)
Telheiras (Lisboa)
Baixa Pombalina (Lisboa)