IDArq Factor
arquitectura, património e identidade
factores de identidade
"...sim, nós dizemos que é o mesmo indivíduo desde a infância até à velhice, e contudo ele jamais retém as mesmas características, seja nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, em todo o seu corpo: ora nasce continuamente para umas, ora morre para outras..."
                                                                                                                      Platão, O Banquete



O objecto arquitectónico, tal como qualquer outra estrutura, mais ou menos complexa, apresenta uma identidade própria. Enquanto objecto, a estrutura arquitectónica compreende diversos tipos de elementos, interligados e correlacionados entre si. Cada um deles, apresentando-se a diversas escalas e assumindo-se com maior e menor importância, são fundamentais na leitura e na compreensão do todo que é o objecto. Por um lado, esses elementos possuem características próprias, por outro, a combinação de ambos concorre para a caracterização do objecto na sua totalidade. No somatório de valores que essas características transportam apoia-se a ideia da diferenciação e da distinção relativamente a outros objectos. Uma casa mostra-se diferente de uma outra pelas diferentes características dos elementos que a compõem, ou simplesmente pela diferente relação que se estabelece entre entre eles. Através dessas características, indivíduais, é possível proceder à identificação de uma relativamente a um grupo determinado gerando, através delas, uma determinada identidade.
No discorrer sobre os elementos sobre os quais se fundamentam estes possíveis modos de diferenciação podem referir-se diversos tipos de aspectos ou factores. Para além das características formais que se podem enumerar podem também registar-se aqueles que determinam a sua essência física e material; a cor, o material ou a própria tecnologia construtiva a ele associada. Contudo, tais aspectos de diferenciação não devem ser entendidos de um modo tão simples. Na realidade, a essência significativa que a materialidade das formas e dos elementos que a constituem representa também um valor determinante na consolidação do que se atribui como  sendo a identidade do objecto, ou dos objectos.
Ao entender-se a arquitectura como expressão cultural torna-se lícito entender que a expressão física dos objectos, por ela consubstanciados, é também um reflexo claro e evidente da cultura que os inventa. A identidade arquitectónica é pois uma expressão cultural.
Desta forma, a referência sobre quais os factores que contribuem para a construção da identidade em arquitectura resulta de uma análise não só à individualidade da(s) matéria(s) que compõe o objecto aqrquitectónico mas, também, aos valores culturais que lhes são subjacentes e que, efectivamente, se tornam responsáveis pela sua expressão. As diferenças que nascem da natureza geográfica e da relação específica do homem com o lugar, a intencionalidade e a razão do construir e as diferenças do habitar, ou a própria educação do arquitecto e o seu método de projectar/construir, mostram-se fundamentais para a interpretação e compreensão dos valores identitários.
O valor da identidade assume-se, deste modo, como um valor, ou conjunto de valores, que ultrapassa a simples condição física do objecto e dos seus elementos, centrando-se na raíz genética da sua produção e assumindo-se como riqueza patrimonial de uma sociedade.

(V.P. 2009)
Casa na vila de Monsanto (Portugal)
Casa no Alentejo (Portugal)
Casa no Algarve
(Portugal)
Casa na Costa Nova
(Portugal)